Uma coceira que dói
segunda-feira, 17 de maio de 2010 @ 23:46
Não é tua culpa coração, o escuro dá mesmo dessas. Sem que eu notasse era você, dentro de mim, fundo. Olhos abertos não bastam. Machuca sim, mas pouco - eu precisava, muito. Canso que nada: tenho urgências nervosas, pesando, de ter na minha palma teus dedos sinuosos, trançando caminhos sobre as veias então convulsas, e um zumbido que me pega a forma se deixa passar à trama ardente das tuas mãos - faz pensar açúcares.
Pra quê a concisão do tempo se o meu espaço é todo entregue? Não posso deixar quieta a firmeza que me sonda, segura, os limites do corpo e testa à fogo a brevidade desse instante. E eu te quero no talo, para sempre, e também esses mesmos dedos que me traçam o comprimento dos braços para estacionarem no peito; sou amor, amor, ainda que pareça grande demais para contar em detalhes. Saudades de estar mão na mão: a suspensão do toque comove até as úlceras. Volta agora nos meus punhos esquecidos (frios de dar dó) com o aconchego morno do teu aperto...
Um tremelique confuso me trespassa a cabeça: será que eu sou querida de outros jeitos? Sinto ciúmes do meu sexo que se concede inteiro, seios, bunda, tantas opções que te levam a trocar uma causa para se perder em outra, sem repouso – e eu sou tão eu agora pouquinha, enterrando as unhas na minha própria carne inábil! Mas me volto para as tuas vontades, e numa arrancada dúbia bato os olhos nos teus, expectativas cerceando contornos outros. A mão parece escancarar no travesseiro, longe, sem entender – por que não volta a me tocar, você pensa, será que ela não gosta? É que a tua força se encerra nela mesma, não me pertence. E eu não posso alcançá-la daqui.
Pra quê a concisão do tempo se o meu espaço é todo entregue? Não posso deixar quieta a firmeza que me sonda, segura, os limites do corpo e testa à fogo a brevidade desse instante. E eu te quero no talo, para sempre, e também esses mesmos dedos que me traçam o comprimento dos braços para estacionarem no peito; sou amor, amor, ainda que pareça grande demais para contar em detalhes. Saudades de estar mão na mão: a suspensão do toque comove até as úlceras. Volta agora nos meus punhos esquecidos (frios de dar dó) com o aconchego morno do teu aperto...
Um tremelique confuso me trespassa a cabeça: será que eu sou querida de outros jeitos? Sinto ciúmes do meu sexo que se concede inteiro, seios, bunda, tantas opções que te levam a trocar uma causa para se perder em outra, sem repouso – e eu sou tão eu agora pouquinha, enterrando as unhas na minha própria carne inábil! Mas me volto para as tuas vontades, e numa arrancada dúbia bato os olhos nos teus, expectativas cerceando contornos outros. A mão parece escancarar no travesseiro, longe, sem entender – por que não volta a me tocar, você pensa, será que ela não gosta? É que a tua força se encerra nela mesma, não me pertence. E eu não posso alcançá-la daqui.