atividade clandestina.
Simbote filhinha
sexta-feira, 21 de maio de 2010 @ 20:15

Muito frio. Peguei um cobertor velho que não usava faz tempo e que para minha surpresa também não lavaram: na superfície felpuda daquela colcha havia pêlos, finos e amarelinhos, que só podiam ser da Simba. Ainda lembro com precisão do dia em que ela morreu e de como meti aquele corpo frágil no colo, os olhos arregalados e o focinho escancarado num sorriso pétreo. Peguei a câmera e tentei sorrir para o flash que eu apertava, tremendo, um montão de vezes. Eu não conseguia fazer direito. As fotos, é claro, ficaram horríveis, e eu tive de deletá-las. Sei lá porque as tirei. Acho que não queria me despedir. Passado um ano me perguntava se por não chorar a mesma torrente de antes era porque a saudade se desgarrava de mim para repousar na memória e mais nada; mas quando avistei aquela pelagem esparsa, tão inconfundivelmente dela, chorei minha descrença inteira do encontro numa sentada só - senti muita falta e nunca fiquei tão feliz de ter um cobertor sujo, cheirando a fundo de gaveta.
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Giselle: às vezes Gi, noutras Elle. Quase nunca Elle, aliás. Dois cachorros, um namorado, uns vários livros no escritório e, mais recentemente, poucas horas para gastar com eles. Perde muito tempo com masturbação psicológica. Wants to do more than just exist.

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