Lenga-lenga da crisálida
sexta-feira, 16 de abril de 2010 @ 19:54
Lambesse ele as patinhas mais à esquerda eu poderia então checar de perto aquela manha que se esquiva de mim sem perceber; Não, não é manha - sem perceber? Pode até ser fuga o princípio desse tempo itinerante que me põe na espera da mudança, a mudança em espera, e eu lagartinha já nem sei...
Gato, chamo-te gato: digo sem boca num beijo que não se gatografa, pra que botar nossa vastidão em nomes? E um dia acordar borboleta para todo o nunca. Não, eu quero a tua fuça pegada a um canto distinto onde um vôo acontece de supetão e você vê tudo eriçando as suspeitas nas garras à postos. Gato lá gosta de borboleta? Não; não gosta, não quer brabuleta doce. Ah, mas se quisesse!...
E eu gamo nesse gato. Gramo. As folhas me descem à garganta num rito quase antropofágico - é você que eu como pra me despontarem asas, é você que eu consumo em mim e pra mim; Jura? Jururu. Juro, juro. Se esses teus olhos não fossem tão monossilábicos... Esse tenso todo não atenta em mim, pode falar! Grrr. Tátátátá; Maluca. Eu sei.
Toma este aviso pra você e bota na emergência dos teus sentidos os meus borrões que derivam cada vez mais pra outra coisa que eu desconheço: uma vida sem você, uma prisão só de não estar aqui pertinho; E pensar estar pegada a algo mais, né? Acorda, da gente só a preguiça. Pois eu vou me pegar a musselina das nossas tardes e num confusamento total me enrolar, cheia de certezas imprecisas: a de ser e não ser ao mesmo tempo. Porque se eu fosse, não teria espaço pra nós dois. E ainda que eu não seja bem aquilo que eu queria, me regularizando uma, misógena lagartoleta, quem sabe você note uma lagarta que te olha já de muito; e a gente pode talvez concretizar outras realidades na gente, precedendo a metamorfose em coisa que se transforme nela mesma e que nos meta no meio, e aí quem sabe você me diga Eu quero ser Onça e te comer inteiriça, e eu vou dizer Simsimsim, batendo asas praquelas presas massivas.