atividade clandestina.
Se a vida é sonho o que acontece quando acordo
quarta-feira, 28 de abril de 2010 @ 20:06

Esse é o título do poema de Maurício Arruda Mendonça, que acabo de descobrir fuçando o Espelunca (blog do Ademir Assunção). Bem legal, né? Às vezes tenho a mesma dúvida. Gosto ainda mais de como ele encerra, "sossegue/ sua mente & se concentre/ só nos detalhes supérfluos". Seria tão mais estar sossegada, alma amainada, a cabeça dura voltada pro concreto. Do tédio e da estranheza só me ficariam impressões longínquas, não a teimosia quebrada ao meio, sempre pendendo para o lado de lá; fico até me perguntando se é covardia essa insistência toda de se avizinhar do bestiário com aceitação. Mas ainda acho que é preciso perguntar "qual é a minha?" - quando se familiariza com os próprios contornos fica mais fácil arredar das latitudes e chegar nas atitudes; e do pedaço que falta, uma liberdade passível de aceitação: toda pedra suspensa é um tiro no ar. Vai ver aquilo que me faz pender mais pra um lado é o peso da própria força, não da inércia. Sei lá. Ou vai ver Maurício Arruda Mendonça está certo e todo mundo fincaria o cu na reta se não atrevessem tanto as pontas para fora.
De dar dó
domingo, 18 de abril de 2010 @ 15:02

Sabe que eu nem gosto tanto de carambola e nem de saquê, mas gosto muito de caipirinha de carambola com saquê, só porque carambola parece estrelinha no copo; daí eu fico me sentindo especial, "olha, ganhei um copo com uma estrela! Eu devo ser mesmo fodona". Sei que não é bem assim, mas toda vez que eu vou sozinha no sushi da minha rua os funcionários se apiedam e me dão uma dessas de graça - "toma aqui, moça; não fica tão triste não" - aí eu faço o cachorro-perdido, beiço maior que o mundo, aceito e me deslumbro com o suquinho da alegria. E saio toda contente, porque enfim me acharem uma coitada serviu pra alguma coisa.
Lenga-lenga da crisálida
sexta-feira, 16 de abril de 2010 @ 19:54

Lambesse ele as patinhas mais à esquerda eu poderia então checar de perto aquela manha que se esquiva de mim sem perceber; Não, não é manha - sem perceber? Pode até ser fuga o princípio desse tempo itinerante que me põe na espera da mudança, a mudança em espera, e eu lagartinha já nem sei...
Gato, chamo-te gato: digo sem boca num beijo que não se gatografa, pra que botar nossa vastidão em nomes? E um dia acordar borboleta para todo o nunca. Não, eu quero a tua fuça pegada a um canto distinto onde um vôo acontece de supetão e você vê tudo eriçando as suspeitas nas garras à postos. Gato lá gosta de borboleta? Não; não gosta, não quer brabuleta doce. Ah, mas se quisesse!...
E eu gamo nesse gato. Gramo. As folhas me descem à garganta num rito quase antropofágico - é você que eu como pra me despontarem asas, é você que eu consumo em mim e pra mim; Jura? Jururu. Juro, juro. Se esses teus olhos não fossem tão monossilábicos... Esse tenso todo não atenta em mim, pode falar! Grrr. Tátátátá; Maluca. Eu sei.
Toma este aviso pra você e bota na emergência dos teus sentidos os meus borrões que derivam cada vez mais pra outra coisa que eu desconheço: uma vida sem você, uma prisão só de não estar aqui pertinho; E pensar estar pegada a algo mais, né? Acorda, da gente só a preguiça. Pois eu vou me pegar a musselina das nossas tardes e num confusamento total me enrolar, cheia de certezas imprecisas: a de ser e não ser ao mesmo tempo. Porque se eu fosse, não teria espaço pra nós dois. E ainda que eu não seja bem aquilo que eu queria, me regularizando uma, misógena lagartoleta, quem sabe você note uma lagarta que te olha já de muito; e a gente pode talvez concretizar outras realidades na gente, precedendo a metamorfose em coisa que se transforme nela mesma e que nos meta no meio, e aí quem sabe você me diga Eu quero ser Onça e te comer inteiriça, e eu vou dizer Simsimsim, batendo asas praquelas presas massivas.
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Giselle: às vezes Gi, noutras Elle. Quase nunca Elle, aliás. Dois cachorros, um namorado, uns vários livros no escritório e, mais recentemente, poucas horas para gastar com eles. Perde muito tempo com masturbação psicológica. Wants to do more than just exist.

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