atividade clandestina.
Para escrever
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009 @ 13:19

Para me romper em palavras
é preciso arrebentar-me
nos limites destas linhas;
é preciso de espaço
e que o passo delimite
a desordem das letrinhas -

ah, para escrever é preciso
que eu me foda inteirinha.

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Engraçado que esse poema foi escrito num papelzinho post-it, o que me pareceu muito incômodo na hora de escrever: minhas idéias não se permitiam restringir, e no entanto, mal cabiam naquele espacinho. Agora que passei para o computador, parece outro poema até - afinal, para quem deseja ultrapassar ou exceder qualquer coisa, a sensação se esvai pelos versos muito pequenos, mais enxutos.
Por outro lado, talvez a ironia da coisa esteja justamente em não ter de apelar para o óbvio, e sim manter a confusão dentro de uma ordem particular, a do ritmo preciso e do final "explosivo" que converge para o comecinho do poema, onde eu espero, de alguma forma, me abrir para a folha - e obter algum contato, alguma proximidade com o caos.
É impressionante como é preciso me foder para escrever. Minha cabeça não pára, e eu fico pensando em detalhezinhos que aparentemente são inúteis, mas que não parecem apenas inúteis - não podem ser, né?

Enfim -- acho que estou sendo pretensiosa demais. Vai ficar assim mesmo.
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Giselle: às vezes Gi, noutras Elle. Quase nunca Elle, aliás. Dois cachorros, um namorado, uns vários livros no escritório e, mais recentemente, poucas horas para gastar com eles. Perde muito tempo com masturbação psicológica. Wants to do more than just exist.

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