atividade clandestina.
ele diz que um charuto é apenas um charuto
quarta-feira, 28 de outubro de 2009 @ 13:12

                "Don't fight my idyosincratic reaction to pain!" - Ana C.

mas eu olho o charuto e o
charuto me olha
molha
a boca entreaberta pede
e eu cansei de flertar

trago a fumaça em anéis
suspensos
suspense no ar
sei truques papéis
pra tantos sou pouca

desisto
mato o charuto e percebo -
estou rouca

                

                      (espaço livre

para a tese de que sei
o gosto das minhas cinzas)
rumor maior
@ 00:06

eles falam sobre o humor
uma loira espia as pernas
                            para fora
reticências
passo a vez de rir e vou
                          à margem
vez em quando a gente vê
para dentro
eu estava de passagem
e te vi
nossos olhos
                          cataratas
bom tê-lo aqui
                                 bem
no meu caminho
que se foda também:
vou ficar
quem é você que
                            sozinho
me retém?
tu te ris
e eu já sei a graça:
você é o impasse que
                        não passa.
Transição
quarta-feira, 7 de outubro de 2009 @ 06:10

Madrugada. Eu me esparramo nos lençóis e fecho os olhos. Dispo-me das poucas fantasias que extendem minha vigília, deito de bruços e aguardo o toque de recolher. Que ardor incongruente vem em seu lugar, quem sabe um lapso de coisa nenhuma queimando a epiderme dos meus pulsos que agora crispam arrepios de emergência: um palpitar latejante, mas indesejado. É dia de descanso, e hoje meu silêncio reinvidica o sono ausente com os lábios cerrados. A ânsia contida flameja antes de por fim apagar naquele fogo que se funde às sombras do quarto, desvelando minha nudez precária, pálida. Não some sob as pálpebras a inquietação de estar aqui, esperando; e é com o pensamento triste que sinto ciúmes desse travesseiro atrelado a cama, repousando com uma doçura maior que minhas distâncias. O comprimento da cama nos ultrapassa, mas não há espaço para mim. Choro uma agudez indizível enquanto rompe a manhã lá fora com pinceladas fracas de laranja. Passo eu, passam as lágrimas, não sei. Descompasso. O sol nasce com ares de fogueira, clareando a escuridão do quarto - e meu coração se deixa tomar pelo entardecer numa pancada tátil, cheia de ternura.
profile
Giselle: às vezes Gi, noutras Elle. Quase nunca Elle, aliás. Dois cachorros, um namorado, uns vários livros no escritório e, mais recentemente, poucas horas para gastar com eles. Perde muito tempo com masturbação psicológica. Wants to do more than just exist.

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