atividade clandestina.
Selva interior
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008 @ 04:48

Sinto falta do apego à beleza. Às vezes me pego indiferente às sonhadas idealizações, engaiolada em um hemisfério onde minhas abstrações nada significam. Eu, invisível, escondida em meio a personalidades que revelam esta inexistência palpável. Sou vulgar, sim, nem ao menos resiste a futilidade alegre de outrora, quando a libertação derivava das múltiplas tentativas de me ser. Falta-me o impulso de exceder limites, que se esvai pelo ralo sujo; resta apenas a rala consciência branca. O nada...
E de alguma forma, inerte em escombros e estrangeira em matéria de amargura solo, entendo o que vejo, criando raízes nesta terra estéril de madeira oca, de pétala murcha. Nesta natureza morta reside uma beleza ímpar, intangível, cuja serenidade me impele a fincar dedos nas rochas e resistir ao apelo da corrente. Há nesse paisagismo fosco uma verdadeira admiração, além de chavões, alheia ao fascínio. Eu contemplo, existo, e finalmente nessa comunhão com o cenário represento algum efeito generalizado (ao menos em relação a tantas facetas) desempenho uma função: a de ter, enfim, uma razão imperativa para estar, pois que creio neste palpitar cheio de frenesi - vivo, sexual, impetuoso. Afinal, precede nele a plenitude-mãe desta liberdade fugidia, agora distante. Gosto de acreditar que é possível resgatá-la, mesmo debilitada sobre pedras de um riacho imaginário.
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Giselle: às vezes Gi, noutras Elle. Quase nunca Elle, aliás. Dois cachorros, um namorado, uns vários livros no escritório e, mais recentemente, poucas horas para gastar com eles. Perde muito tempo com masturbação psicológica. Wants to do more than just exist.

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