atividade clandestina.
Young
segunda-feira, 29 de outubro de 2007 @ 13:35

"Não pode ser. Não posso ser assim. Estar desta forma, existir. Por quê? Será que todo mundo sente isso? Essa esquisitice enquanto respira? Todo mundo pensa enquanto respira? Pensa em cada bocado de oxigênio que entra e que sai, depois, já estragado, já gás carbônico? Eles sentem assim, da maneira que eu sinto? Gostaria de saber se as pessoas ficam pensando sobre o ar ou se apenas o respiram, de forma simples e vital. Queria saber se é mais agradável ser outra pessoa. Se é bom sentir-se em outro. Num corpo mais gordo – será mais macio existir dentro de 90 quilos? O gosto da boca, a sensação de estar vivo, seria diferente? Porque há um sabor de vida dentro da cavidade bucal. Há microorganismos vivos por todos os cantos da gente. Alguém aí sente isso? Como eu sinto, desde menina, cócegas estranhas, que me inquietam e agoniam, por causa desses seres viventes, que têm funções biológicas que nunca entendi. Quantas bactérias carrego comigo? Por que, afinal, essa complexidade toda? Essa chatice indagativa existencial? Por que não sou uma burra? Por que eu não sou uma mesa? Simples como uma mesa. Óbvia como uma mesa. Prática. Aceitável. Necessária".



Fernanda Young fala por mim.
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Giselle: às vezes Gi, noutras Elle. Quase nunca Elle, aliás. Dois cachorros, um namorado, uns vários livros no escritório e, mais recentemente, poucas horas para gastar com eles. Perde muito tempo com masturbação psicológica. Wants to do more than just exist.

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